Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007
PEDRAS ROLLANTES N.º1 - FANTASMAS

FANTASMAS

 

Há quem negue a sua existência e há quem jure a pés juntos que já contactou com fantasmas. Eis alguns desses testemunhos:

 

Acordei às três da manhã com o som de uma cadeira de balouço a arrastar-se. Abri os olhos e vi com toda a nitidez o Dr. Oliveira Salazar sentado aos pés da minha cama a depenar uma galinha. O meu primeiro desejo foi dar-lhe um tiro, mas como já estava morto achei melhor guardar a bala para outro da laia dele que apareça por aí. Estendi-lhe um pires de tremoços, mas ele recusou. Disse-me então que tinha a solução para a crise em Portugal, mas quando me ia revelar tal segredo entrou no quarto a minha sogra. Ele, perante tal imagem do inferno, gritou horrorizado, esfumou-se e atravessou a parede enquanto eu partia o nariz ao tentar segui-lo.

Adolfo Dias

 

O meu trisavô morreu sem me dizer onde deixou enterrada a lata do dinheiro. Atormentado por esta dúvida resolvi consultar uma vidente. A dona Estaburga recebeu-me em sua casa. Sentámo-nos à mesa em profunda concentração. Ela entrou em transe e comecei a ouvir vozes. Não era o meu trisavô, mas sim o Mick Jagger a falar português no estádio do Dragão. Apesar do erro, os objectos que estavam em cima da mesa (um pires de joaquinzinhos e uma caneca das Caldas) começaram a levitar. A vidente voltou a entrar em transe e surgiu uma voz enérgica. Pensei que era o meu trisavô, mas apurando o ouvido concluí que era um pequeno excerto de 3 horas e meia do último discurso de Fidel de Castro. Nesse momento, enquanto os joaquinzinhos rodopiavam atrás da caneca junto ao tecto, a própria mesa levantou-se, deu as boas-noites e foi para a cama. Furioso, atirei-me à dona Estaburga, mas ela era apenas uma imagem holográfica 3D que escondia o leitor de cassetes de onde vinham as vozes. Bati de caras na cadeira e parti o nariz.  

                                                           Anónimo

Um dia, em busca de solidão, entrei no cemitério e sentei-me numa pedra. Logo a seguir senti que tinha companhia. Sentado a meu lado estava Lenine. Perguntei-lhe o que fazia ali se nem pertencia àquele cemitério. Respondeu que não estava bem em lado nenhum por causa do Karl Marx que andava às voltas na sepultura furioso com o que tinham feito à sua ideologia. Perguntei-lhe se sabia que já não existia U.R.S.S. disse-me que sim, que já sabia e que era normal. Normal!? Perguntei. Sim. Respondeu e passou a explicar: O capitalismo é mais atraente. O isco para a exploração humana é irresistível. Em cada 10 pessoas há 9 que adoram viver em servidão e, graças às novas formas de comunicação, estão desejosas de enfiar pelo cu acima todas as nulidades que lhe queiram impingir. Disse-lhe que estava a ser mal-educado. Ele, antes de se esfumar em fumo vermelho, pregou-me um soco e partiu-me o nariz.

Putin



publicado por pedrasrollantes às 13:53
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